Os dias se passaram no início nada mudou, as palavras
continuavam sendo doces, parecia que ainda sentia o calor do seu beijo. Mas as
coisas estão sujeitas a mudanças quando minutos, horas, dias e meses se passam
sem parar e dias morrem e dias nascem e sentia que quando cada dia morria eu
também morria, pois eu sentia que o que você sentia por mim também morria.
Parecia que a cada dia eu vivenciava um massacre de sentimentos, todos eles
sendo mutilados diante dos meus olhos, diante do meu coração. Aliás, o campo de
batalha dessa guerra sangrenta era o meu ser. Vejo que o saldo dessa guerra é
um coração partido, um coração desiludido com o sentimento que um dia eu chamei
de nobre, mas que só é nobre de fato quando é vivido por dois seres que agem em
permanente harmonia, vivem um a vida do outro e se confundem, pois estão
unificados. Amar é viver na paz que o outro trás, e lutar em uma guerra onde
aqueles dois seres viram um só e lutam contra as dificuldades que eles como
todos temos que lutar. Embora eles tenham vantagem, porque aonde há amor recíproco.
Há força, há alma. E contra isso não tem exército contrário que possa sair
vitorioso. Porque os vitoriosos são aqueles que amam.
domingo, 5 de junho de 2016
Cicatriz
Há marcas que
escolhemos para nos, para o nosso corpo, para a nossa mente, para a nossa alma.
E há marcas que não podemos escolher e tenho marcas no meu corpo, na minha
alma, minha mente e no meu coração. Eu estou falando de cicatrizes. Cicatrizes
são as tatuagens que não escolhemos, mas que vamos levar para a sempre conosco.
E geralmente elas são imprimidas de repente, as vezes quando nos damos conta,
já estamos sagrando. E aquela ferida fica doendo todas as horas do dia e nisso
se passam vários dias, algumas dessas feridas se fecham, viram cicatrizes e
essas cicatrizes ficam em você para você lembrar-se daquela dor. A ferida que
você causou no meu coração cicatrizou, mas essa cicatriz não vai me deixar
esquecer toda a dor que eu sofri.
O Bêbado da Madrugada
Chego em casa por volta das onze horas
da noite, acompanhado por uma garrafa de uísque barato que comprei na vinda,
vou até a cozinha e pego um copo, abro a garrafa e começo o meu monólogo para
alguns espectadores alheios a mim, a garrafa de fronte que vai sendo esvaziada
é a mais atenta aos meus delírios.
Essa situação extremamente degradante me
deixa um tanto humilhado, mas o uísque me consola, esse fato, o fato de está
impregnado pela solidão me faz refletir sobre o que eu considero importante
para existência humana, a literatura, a música, o cinema, a arte. São coisas
que eu considero extremamente importantes, ouvi dizerem uma vez que a vida sem
a música seria um erro, e de fato devo concorda, pena que o álcool não permita
nesse momento lembrar quem falou essas sábias palavras, mas tenho certeza que
um dia lembrarei, pode ser amanhã ou daqui a dez anos quando eu sai deste
estado de embriaguez.
Devo dizer que tem uma arte que soma
todas essas outras artes e que de minha pessoa tem toda admiração, a arte de
amar, amar é a arte mais linda deste mundo cruel, para amar verdadeiramente
precisa ser poesia, precisa ter ritmo, harmonia e doçura, mas não
necessariamente precisa ser assim, isso não é uma regra e por isso acho que a
arte poética do amor está mais próxima da poesia modernista de Manuel Bandeira,
tão bela em toda a sua Libertinagem.
Essa garrafa está prestes a terminar,
temo que as próximas palavras possam impactar e por isso podem vir a chamar-me
louco.
Nesta noite como em quase todas estarei
a pensar, com esse mormaço, com o som do ventilador que não ventila, com os
olhos vidrados no tento como se estivessem vendo uma cena erótica entre duas
ninfas completamente nuas, pensar os meus sonhos acordados até ser apunhalado
pelo sono e sonhar no meio da noite com um mundo onde homens laçam e matam
outros homens como se fossem bois, ver aquela cena sentado na sombra do cocho,
o homem sendo arrastado, ouvir o grito de morte, agonizante e sentir um
calafrio que me tira a metade dos sentidos e ainda assim sentir um medo ainda
maior com as gargalhadas mortíferas com odor de estrume dos que matam sem pena
e sem culpa.
Fernando
Emannuel
Delmiro
Gouveia – AL
29
de Abril de 2015
A Destruição dos Binóculos
Quando
pequeno via as pessoas como gigantes,
Até parecia
que usava binóculos o tempo todo,
Era horrível
me ver diminuído por algo que desconhecia.
Depois
conhece o causador do mal que sentia.
E o causador
deste mal não era apenas ser humano.
Um dia
conheci algumas pessoas que se tornarem meus companheirxs
Eles também
se sentiam igual a mim.
E o que
queremos é destruir o causador de tantas maldades
Aqui,
Lá
Em toda
parte
Para isso
precisamos de companheirxs de todas as partes
Assim
conseguiremos destruí-lo;
Precisamos
destruí-lo ou ele nos destruirá.
Quem é ele?
O Capital.
E eu ouvi um
grito que ecoou: “Vamos destruí-lo”;
E o grito
continuará ecoando até o grito se concretizar.
Fernando Emannuel
Arapiraca-AL
24 de março de 2016
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