Chego em casa por volta das onze horas
da noite, acompanhado por uma garrafa de uísque barato que comprei na vinda,
vou até a cozinha e pego um copo, abro a garrafa e começo o meu monólogo para
alguns espectadores alheios a mim, a garrafa de fronte que vai sendo esvaziada
é a mais atenta aos meus delírios.
Essa situação extremamente degradante me
deixa um tanto humilhado, mas o uísque me consola, esse fato, o fato de está
impregnado pela solidão me faz refletir sobre o que eu considero importante
para existência humana, a literatura, a música, o cinema, a arte. São coisas
que eu considero extremamente importantes, ouvi dizerem uma vez que a vida sem
a música seria um erro, e de fato devo concorda, pena que o álcool não permita
nesse momento lembrar quem falou essas sábias palavras, mas tenho certeza que
um dia lembrarei, pode ser amanhã ou daqui a dez anos quando eu sai deste
estado de embriaguez.
Devo dizer que tem uma arte que soma
todas essas outras artes e que de minha pessoa tem toda admiração, a arte de
amar, amar é a arte mais linda deste mundo cruel, para amar verdadeiramente
precisa ser poesia, precisa ter ritmo, harmonia e doçura, mas não
necessariamente precisa ser assim, isso não é uma regra e por isso acho que a
arte poética do amor está mais próxima da poesia modernista de Manuel Bandeira,
tão bela em toda a sua Libertinagem.
Essa garrafa está prestes a terminar,
temo que as próximas palavras possam impactar e por isso podem vir a chamar-me
louco.
Nesta noite como em quase todas estarei
a pensar, com esse mormaço, com o som do ventilador que não ventila, com os
olhos vidrados no tento como se estivessem vendo uma cena erótica entre duas
ninfas completamente nuas, pensar os meus sonhos acordados até ser apunhalado
pelo sono e sonhar no meio da noite com um mundo onde homens laçam e matam
outros homens como se fossem bois, ver aquela cena sentado na sombra do cocho,
o homem sendo arrastado, ouvir o grito de morte, agonizante e sentir um
calafrio que me tira a metade dos sentidos e ainda assim sentir um medo ainda
maior com as gargalhadas mortíferas com odor de estrume dos que matam sem pena
e sem culpa.
Fernando
Emannuel
Delmiro
Gouveia – AL
29
de Abril de 2015
Nenhum comentário:
Postar um comentário